Eu já não consigo acreditar, que chorei naquela
época quando ameaçou me deixar, quando disse-me palavras de arrepiar, chegar em casa e apenas apreciar uma lenta música, deitar ao solo frio e respirar, ou ao menos tentar fazer isso... E hoje. Hoje? mal passo acreditar que dou gargalhadas, leves, livres soltas pelo ar, giram feito bolhas, e
estouram, explosão de coisas tão pequenas vem a tona, e pronto, é passageira, é bem rápida minha passagem pela tristeza,
eu ri, é sinal de que cresci, e coisas do passado já não é tudo na minha vida, já foi tudo, poderia ser tudo, tudo acabou, e é bobagem escrever cartas de amor, tolice, eu acho, talvez escrever sobre amor, o tudo que eu falo poderia ser você, o tudo que digo poderia ser nós, o tudo que penso poderia ser tudo que
viveríamos, mas meu tudo acabou.
E tudo aquele que me disse, são palavras que entraram por um ouvido e ... desceram para meu
estômago, me fizeram vomitar todo sentimento que ainda tinha, me fez vomitar a sua fisionomia, seu jeito, trejeitos, e cor dos olhos, eu deixei ir embora, e me perguntei o que teria dado errado, e hoje é uma pergunta ainda sem resposta.
Me sinto cansado, deixei ir tudo de você para fora de mim. Então ligarei o som, passarei um pano na casa, no chão plano e branco, como minha mente, corpo, alma e coração estão agora, limpos, planos e brancos..
Eu cresci e vejo que
éramos jovens demais, eu cresci e vejo que amei demais, eu vi o sistema, e eu
já sei ligar todos os cabos e vomitar quando for preciso.
É, talvez isso tudo seja mais uma carta de amor boba sobre você e a cor dos seus olhos.
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